Desabafo


Escrevo este texto porque dentre muitas coisas que tenho estado a pensar, se calhar, esta seja a que mais me tem ocupado a mente.
É muito comum escutar pessoas falarem que “amar é perdoar”. Pois é, durante muito escutei isso sem me questionar, até quando perdi alguém que eu realmente amava e continuo amando. Então tomando como base essa perda, comecei a reflectir profundamente em tudo o que escuto relacionado com sentimentos, e com base na minha própria história quero partilhar convosco a minha opinião e abrir debate sobre este dito tão popular.
Conheci uma linda rapariga, se calhar a mais linda de todas que já vi até hoje, não porque não existam outras mais lindas que lindas que ela, não, mas porque a beleza dela para mim não é apenas beleza, tem um significado muito mais profundo que desconheço até hoje e que me faz apaixonar-me por ela continuamente.
O facto é que ela foi minha primeira namorada e eu também o seu primeiro namorado. Há uma conexão entre nós que ninguém consegue explicar, o facto é que até hoje, mesmo não estando juntos, nos damos muito bem e sinto que para além dos nossos pais, se calhar, ninguém mais nos conhece tão bem como nos conhecemos um ao outro.
Mas o facto é que na altura eu não compreendia que ela me amava por mim mesmo e não pelo que eu era capaz de ter ou fazer, e eu inventava coisas para impressiona-la, mais só consegui afasta-la. Mas uma vez inventei uma mentira que ela simplesmente não suportou e mesmo me amando ela não perdoou.
Ficamos separados durante 3 anos, mas eu não a esqueci e nem deixei de ama-la muito pelo contrário, comecei a fazer uma reforma profunda em mim, de modo que pudesse entende-la melhor e pudesse ao menos ser com ela o que um homem comum não seria. Deixei de olhar para ela como um templo de beleza que deve ser explorado, passei a olhar para ela como uma mulher normal e com necessidades naturais comuns a de qualquer mulher no mundo, ou seja, uma mulher que precisa da segurança de um homem forte, emocionalmente, claro, e que ao mesmo tempo precisa da submissão de um homem sensível e frágil. Em três anos li muito sobre comportamento feminino, sexologia, erotismo e tudo mais, porque simplesmente não me passava pela cabeça a ideia de perde-la para sempre.
Voltei três anos depois e a procurei, mostrei para ela que havia mudado e que era novo homem. Ela de facto reconheceu e percebeu que nunca ninguém, se calhar, lhe entendeu tão bem quanto eu, então ela perdoou-me, e continua a admirar-me pese ainda algumas questões que nos impedem de estar juntos.
Então, me questionei e agora vos questiono, será mesmo que amar é perdoar? Pois, ela me teria perdoado a três anos transactos porque me amava. Ou, então perdoar é somente uma forma de manifestar amor?

Fernandes Sitoe

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